O cliente é que é burro...
Não sei quantas vezes já ouvi esta frase: “o cliente é
que é burro, não entende o que explico”. Uma constante nos serviços
profissionais. Muitas
vezes encontramos pessoas nas empresas para
as quais trabalhamos que, “surpreendentemente”,
não tem o conhecimento técnico para entender
o que estamos oferecendo. E por que deveriam? A
expertise é do profissional e não do cliente.
Não podemos negar a complexidade que acompanha o ambiente
dos serviços profissionais. Neste contexto,
vem a pergunta: não será responsabilidade daquele que presta
o serviço em auxiliar na educação de seu cliente e ajudá-lo
a usufruir de forma mais completa aquilo que está recebendo? Não significa
também que é imprescindível para um profissional de serviços ser capaz de
orientar e até mesmo educar o cliente? Afinal, profissionais do conhecimento
não deveriam somente ter a capacidade de reter o conhecimento, mas também de
compartilhá-lo.
Com minha experiência em
gerenciar projetos com equipes cujo
conhecimento técnico é muito superior ao
meu, desenvolvi uma maneira para conseguir que compartilhassem um pouco comigo. Sempre solicito que me expliquem
“como se eu fosse uma criança de cinco anos”. Surpreendentemente, esta simples
pergunta já permitiu que muitas vezes conseguisse a atenção e também a disposição para me elucidar sobre algo que eu
não tinha conhecimento.
Podemos utilizar esta mesma percepção para poder interagir
com o cliente. Lembrar que muitas vezes, para alguns temas ou áreas, somos tão ignorantes quanto uma criança de cinco
anos. E que
não há nada errado com isso. E se aquele que é nosso interlocutor em outra
empresa está nesta condição, é de nossa
responsabilidade educá-lo. Não só por que
assim não teremos tanta incomodação, mas também por que assim também garantimos
que a percepção de qualidade do nosso trabalho não seja distorcido pela sua “ignorância”.
Em tempo: educar não é
empurrar um monte de informações técnicas. É, além de tudo, garantir que a informação tenha
sido absorvida. A evidência de que isso ocorreu é quando começamos a pensar em coisas
novas e melhorias e não ficamos discutindo com o cliente sobre o que já foi
feito.
Educar exige muita paciência.
--Jerusa Garay
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