0800 e a cultura que veio para estragar o mundo

By 10:56

Eu gosto de ligar para um 0800. Por que? Por que eu gosto de resolver problemas. Não há satisfação maior do que conseguir aquilo que eu quero ou preciso, principalmente quando tudo parece contra.
Sendo uma assídua frequentadora de SAC de várias empresas, acredito que eu tenha condições e experiência o suficiente para dizer: os 0800 influenciaram nossa cultura, nossa forma de trabalhar, nossa forma de atender e ser atendidos, nossa forma de falar.

Tenham certeza, o gerúndio não é o único malefício imposto pelos atendimentos de telemarketing. A pior e mais nefasta contribuição é termos nos acostumado a ser mal atendidos. E o pior de nos acostumarmos com isso, é que passamos a replicar este comportamento. Vamos aceitando esta forma mesquinha e desumana de sermos tratados, e sem percebermos, passamos a atuar da mesma forma. Repetimos, sem ao menos pensar ou perceber, todos os truques do atendente: somos evasivos, dizemos que não é nossa responsabilidade, que estamos esperando o outro departamento, que o sistema não permite. Fazemos uso de sofisticados sofismas, aplicando desvios semânticos e entrelinhas para comprovar que algo não é como parece ser. Vamos nos ocupando de justificar o péssimo serviço, ao invés de nos ocuparmos de fazer bem feito.

E assim, a cultura do péssimo serviço se propaga pelo mundo. E vamos reproduzindo aquilo que não gostamos que façam conosco. Nestas horas sempre recordo minha mãe dizendo: “não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você”.

Sempre me pergunto por que estes atendimentos são assim? E a cada nova (e péssima) experiência que tenho com um 0800, para mim fica mais claro: ELES NÃO SE IMPORTAM. Não se importam com você, não se importam com o problema, não se importam em fazer o melhor. Não se importam, não estão nem aí para você ou qualquer outro cliente.   E esta é a cultura que geraram: Não se importar. E por que não se importam conosco, acabamos não nos importando com os demais e o ciclo negativo está estabelecido.

Perpetuar esta cultura é uma decisão de cada um, e a partir disso saber pelo que seremos reconhecidos. Podemos ser os campeões em “ir estar fazendo” ou podemos ser aqueles que FAZEM, que resolvem. Eu prefiro me importar e fazer. E você?

--Jerusa garay

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